Anúncios
Soldador é o profissional que une peças de metal usando calor, arco elétrico ou chama, em fábricas, obras, estaleiros, oficinas e serralherias. É uma profissão técnica com procura constante na indústria e na construção, que pode ser aprendida em cursos de qualificação e paga acima do salário mínimo já na entrada. Neste guia, você vê o que faz um soldador, quanto ganha pelo Novo Caged, quais processos de solda o mercado pede, os direitos e cuidados de segurança e um passo a passo em 9 etapas para conseguir a vaga.

O que faz um soldador
Pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 7243-15), o soldador solda peças metálicas para fabricação, manutenção e recuperação dessas peças, usando processos como eletrodo revestido, TIG, MIG, MAG, oxigás, arame tubular, arco submerso e plasma. Na prática, ele transforma chapas, tubos e perfis de aço em estruturas, máquinas, tanques, tubulações e peças de reposição.
Anúncios
A rotina vai além de “fazer o cordão de solda”. Antes de começar, o profissional lê o desenho técnico, confere o material, prepara a peça, escolhe o processo e regula a máquina. Depois, inspeciona o resultado e corrige falhas.
Tarefas do dia a dia do soldador
- Ler desenhos, especificações e instruções de soldagem (as chamadas EPS ou IEIS).
- Preparar a peça: limpar, chanfrar, esmerilhar e posicionar as partes.
- Escolher e regular a máquina de solda: corrente, tensão, velocidade do arame e tipo de gás.
- Abrir o arco elétrico ou acender o maçarico e executar a solda na posição pedida.
- Verificar visualmente a peça e o cordão, procurando trincas, porosidade e falta de fusão.
- Usar e conservar os equipamentos de proteção individual.
- Informar falhas em máquinas e equipamentos e manter o posto de trabalho organizado.
Onde o soldador trabalha
A profissão está presente em quase todos os setores que lidam com metal. Os empregadores mais comuns são:
- Metalúrgicas e caldeirarias: fabricação de estruturas, tanques, silos e peças sob encomenda.
- Indústria automotiva e de máquinas: linhas de montagem e fabricação de componentes, muitas vezes com solda MIG/MAG ou robôs.
- Construção civil e montagem industrial: estruturas metálicas de galpões, pontes e plantas industriais.
- Estaleiros, petróleo e gás: tubulações e estruturas que exigem qualificação mais rigorosa.
- Manutenção industrial: recuperação de peças em mineradoras, usinas, siderúrgicas e fábricas de alimentos.
- Serralherias e oficinas: portões, grades, carrocerias e consertos em geral.
Quanto mais exigente o setor, mais o profissional precisa comprovar qualificação em processos e posições específicas, e melhor tende a ser a remuneração.
Anúncios
Tipos de solda que o soldador precisa conhecer
Os anúncios de vaga quase sempre dizem qual processo a empresa usa. Conhecer os principais ajuda a escolher o curso certo e a montar o currículo.
Eletrodo revestido
É o processo mais tradicional e versátil, muito usado em obras e manutenção por funcionar bem em campo. Usa uma vareta (eletrodo) com revestimento que protege a poça de fusão. É comum ser o primeiro processo ensinado nos cursos.
MIG e MAG
Usam um arame contínuo e gás de proteção. São rápidos e muito comuns na indústria seriada, como automotiva e de máquinas. A diferença é o gás: inerte no MIG e ativo no MAG.
TIG
Usa eletrodo de tungstênio e gás inerte, com acabamento limpo e preciso. É pedido em aço inox, alumínio e tubulações de alta exigência, como na indústria alimentícia, farmacêutica e de petróleo. Costuma valorizar o salário de quem domina a técnica.
Oxigás, arame tubular, arco submerso e plasma
O oxigás usa chama de gás e oxigênio e também serve para corte. O arame tubular é parecido com o MIG/MAG, mas com fluxo dentro do arame, bom para peças grossas. O arco submerso é automatizado e usado em chapas e tubos grandes. O plasma é mais comum no corte de metais.
Quanto ganha um soldador
Para ter uma referência pública, usamos os dados do Salário.com.br para a ocupação de soldador (CBO 7243-15), que reúne as informações do Novo Caged, o cadastro oficial de admissões e desligamentos com carteira assinada mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Na atualização de 8 de outubro de 2026, com base em 243.166 registros dos últimos 12 meses, os números para o Brasil eram:
- Média salarial: R$ 3.402,95 por mês.
- Mediana: R$ 3.200.
- Piso (faixa de entrada): R$ 2.878,64.
- Teto (faixa mais alta): R$ 5.000.
- Jornada média: 44 horas semanais.
Salário de soldador por região
As médias regionais na mesma base foram: Sudeste, R$ 3.615; Sul, R$ 3.334; Centro-Oeste, R$ 3.333; Norte, R$ 2.945; e Nordeste, R$ 2.862.
Esses valores são o salário registrado no Caged e não incluem necessariamente adicionais como insalubridade, horas extras, adicional noturno e benefícios. Para comparar, o salário mínimo nacional em 2026 é de R$ 1.621. O piso real da sua cidade depende da convenção coletiva dos metalúrgicos ou da construção, então consulte o sindicato da categoria. Para saber quanto sobra no bolso depois dos descontos, use a calculadora de salário líquido.
O que faz o salário do soldador subir
- Domínio de processos mais exigentes, como TIG e solda de tubulação.
- Qualificação em posições difíceis, como vertical e sobrecabeça.
- Certificações exigidas por setores como petróleo, gás e estaleiros.
- Leitura de desenho técnico e conhecimento de inspeção de solda.
- Disponibilidade para trabalhar em turnos, viagens ou paradas de manutenção.

Requisitos para ser soldador
Não existe um diploma obrigatório por lei para trabalhar como soldador, mas as empresas pedem preparo técnico. Os requisitos mais comuns nos anúncios são:
- Escolaridade: o perfil mais comum entre os trabalhadores registrados nessa ocupação é de ensino médio completo, segundo o Salário.com.br; algumas vagas aceitam fundamental.
- Curso de solda: qualificação em pelo menos um processo, como eletrodo revestido ou MIG/MAG; o curso de solda MIG e TIG é citado como importante para a função.
- Experiência: muitas vagas pedem de seis meses a dois anos, mas há oportunidades de ajudante e de soldador júnior para quem está começando.
- Leitura de desenho técnico: saber interpretar cotas, símbolos de solda e especificações.
- Teste prático: quase toda seleção de soldador inclui uma prova na oficina.
Cursos para ser soldador
O caminho mais conhecido são os cursos de qualificação profissional do SENAI, presentes em todos os estados, que ensinam soldagem por eletrodo revestido, MIG/MAG e TIG, além de segurança e leitura de desenho. Escolas técnicas e institutos federais também oferecem cursos na área de soldagem e metalurgia.
Ao escolher um curso, verifique se ele tem aulas práticas em cabine de solda, se ensina mais de um processo e se a escola é reconhecida pelas empresas da sua região. Pergunte também se o curso prepara para testes de qualificação.
Qualificação e certificação do soldador
Em setores mais exigentes, o profissional precisa ser qualificado: ele faz um teste prático soldando um corpo de prova, que depois é inspecionado e ensaiado. A qualificação segue normas técnicas, como a ASME Seção IX, a AWS D1.1 ou a ISO 9606, e vale para um processo, material e posição específicos. Em petróleo, gás e estaleiros, essa qualificação costuma ser condição para a contratação.
Direitos do soldador com carteira assinada
Quem é contratado pela CLT tem os direitos básicos de qualquer trabalhador: salário pelo menos igual ao mínimo ou ao piso da categoria, 13º salário, férias com um terço a mais, FGTS de 8%, INSS, descanso semanal remunerado e vale-transporte. Alguns pontos merecem atenção na profissão.
Insalubridade para soldador
A solda expõe o trabalhador a radiação, fumos metálicos, ruído e calor. Pela CLT (artigos 189 a 192), o trabalho em condições insalubres acima dos limites de tolerância dá direito a adicional de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo, conforme o grau de risco. A caracterização depende de laudo técnico feito por médico ou engenheiro do trabalho, com base na Norma Regulamentadora 15. Por isso, nem todo profissional da solda recebe o mesmo adicional: tudo depende das condições do local e da proteção fornecida.
Horas extras e adicional noturno
Hora extra vale no mínimo 50% a mais que a hora normal, e quem trabalha entre 22h e 5h em área urbana tem adicional noturno de pelo menos 20%. Em paradas de manutenção e obras, as horas extras são comuns; confira os valores com a calculadora de horas extras.
Segurança no trabalho do soldador
Segurança é parte do trabalho, e as empresas cobram isso na entrevista e no dia a dia. Os principais riscos são queimaduras, lesões nos olhos pela radiação do arco, inalação de fumos, choque elétrico, incêndio e explosão.
EPIs mais usados
- Máscara de solda com lente de proteção adequada ao processo.
- Luvas de raspa de couro, avental, mangote e perneira.
- Botina de segurança e roupa de material resistente ao fogo.
- Protetor auricular e respirador, quando a avaliação de risco indicar.
- Óculos de segurança para esmerilhar e limpar a peça.
Normas regulamentadoras que aparecem nas vagas
- NR-6: uso e fornecimento gratuito de EPI pela empresa.
- NR-12: segurança em máquinas e equipamentos.
- NR-33: trabalho em espaço confinado, como tanques e caldeiras.
- NR-35: trabalho em altura, comum em montagem de estruturas.
- NR-34: regras da indústria naval, incluindo trabalhos a quente.
Ter os cursos de NR-33 e NR-35 válidos é um diferencial no currículo de quem quer trabalhar em montagem e manutenção industrial. As normas podem ser consultadas no portal do Ministério do Trabalho e Emprego.
Ferramentas e equipamentos do dia a dia
Além da máquina de solda, a rotina envolve várias ferramentas. Conhecer cada uma ajuda no teste prático e mostra preparo na entrevista.
- Máquinas de solda: transformadores, retificadores e inversoras para eletrodo revestido e TIG, e fontes com alimentador de arame para MIG/MAG.
- Esmerilhadeira: usada para chanfrar, limpar e dar acabamento às peças antes e depois da solda.
- Ferramentas de medição: trena, esquadro, paquímetro e calibradores de solda para conferir medidas e o tamanho do cordão.
- Cilindros e reguladores de gás: argônio, CO2, misturas, oxigênio e acetileno, que exigem cuidado no transporte e no armazenamento.
- Dispositivos de fixação: grampos, gabaritos e morsas que mantêm as peças na posição certa.
Cuidar bem do equipamento também conta pontos. Cabos em bom estado, bicos limpos e mangueiras sem vazamento evitam acidentes e retrabalho.
Mercado de trabalho e onde procurar vagas
A procura por profissionais de solda acompanha o ritmo da indústria, da construção e dos grandes projetos de infraestrutura. Regiões com polos metalúrgicos, siderúrgicos, automotivos, navais e de mineração costumam concentrar mais vagas, mas oficinas, serralherias e empresas de manutenção existem em praticamente todas as cidades.
Para encontrar oportunidades, combine vários canais:
- Páginas de carreiras das indústrias e construtoras da sua região.
- O Sine e o app Carteira de Trabalho Digital, que reúnem vagas com carteira assinada.
- Plataformas de recrutamento e perfis profissionais, com o currículo sempre atualizado.
- Indicação de colegas de curso e de antigos chefes, muito comum em montagem e manutenção.
- Empresas que prestam serviço em paradas de manutenção, que contratam por obra ou temporada.
Contratos por obra certa ou temporários são frequentes em montagem industrial. Antes de aceitar, confira o tipo de contrato, a duração, o alojamento e a alimentação, se houver viagem, e como serão pagas as horas extras.
Soldador, serralheiro e caldeireiro: qual a diferença
Essas funções trabalham juntas e às vezes se confundem nos anúncios:
- Soldador: especialista em unir metais com processos de solda, seguindo especificações técnicas.
- Serralheiro: fabrica e instala portões, grades, esquadrias e estruturas leves; solda, mas também corta, dobra e monta.
- Caldeireiro: traça, corta, conforma e monta chapas para tanques, tubulações e estruturas pesadas, trabalhando lado a lado com o soldador.
Muita gente começa como ajudante de serralheria ou de caldeiraria e depois se especializa como soldador.
Como conseguir vaga de soldador: 9 passos
Siga estas etapas para entrar na profissão ou subir de nível.
- Escolha o primeiro processo. Para começar, eletrodo revestido e MIG/MAG abrem mais portas. Depois, avance para TIG.
- Faça um curso com bastante prática. Prefira escolas reconhecidas, como o SENAI, e guarde o certificado com a carga horária.
- Aprenda a ler desenho técnico. Símbolos de solda e cotas aparecem em quase todo teste.
- Tire os cursos de segurança. NR-33 e NR-35 válidos ajudam muito em vagas de montagem e manutenção.
- Comece como ajudante, se preciso. Vagas de ajudante de solda, serralheria ou caldeiraria dão a experiência que as empresas pedem.
- Monte um currículo objetivo. Liste os processos que você domina, as posições, os materiais (aço carbono, inox, alumínio) e os cursos.
- Procure vagas nos canais certos. Use os sites oficiais das empresas, o Sine, o app Carteira de Trabalho Digital e plataformas como a Gupy.
- Treine para o teste prático. Pratique o processo e a posição pedidos na vaga e chegue à prova descansado e com seus EPIs, se a empresa pedir.
- Invista em qualificação. Depois de empregado, busque qualificações por norma e cursos de inspeção para crescer.

Exemplo de currículo para soldador
O currículo deve mostrar rapidamente o que você sabe fazer. Uma estrutura simples:
- Objetivo: Soldador MIG/MAG e eletrodo revestido.
- Resumo: “Soldador com dois anos de experiência em caldeiraria, em aço carbono, nas posições plana, horizontal e vertical. Leio desenho técnico e tenho NR-35 válida.”
- Experiência: empresa, período, tipo de peça e processos usados.
- Cursos: soldagem, leitura de desenho, NR-33, NR-35 e outras qualificações.
- Disponibilidade: turnos, viagens e horas extras, se for o caso.
Para mais modelos de resumo, veja o artigo sobre considerações finais do currículo.
Perguntas comuns na entrevista para soldador
Além do teste prático, o recrutador costuma perguntar:
- Quais processos de solda você domina e em quais posições?
- Com quais materiais você já trabalhou?
- Como você identifica porosidade ou falta de fusão num cordão?
- Que EPIs você usa e por quê?
- Você sabe ler desenho técnico e símbolos de solda?
- Tem disponibilidade para turnos, horas extras ou viagens?
Responda com exemplos reais. Se ainda não tem experiência formal, fale das peças que fez no curso e do que aprendeu com elas.
Como crescer na profissão de soldador
A carreira na solda tem caminhos claros. Com prática e qualificação, é possível passar de ajudante a soldador, depois a especialista em TIG ou tubulação, e chegar a funções como encarregado de solda ou líder de equipe.
Outra rota é a inspeção de soldagem. O inspetor avalia a qualidade das juntas e precisa de formação e certificação próprias, com provas teóricas e práticas. Também há espaço em soldagem robotizada, programando e acompanhando robôs nas linhas de produção.
Cuidados com golpes em vagas de soldador
Vagas bem pagas, principalmente em obras e no exterior, atraem golpistas. Fique atento:
- Desconfie de quem cobra taxa para “garantir a vaga”, pagar exame ou reservar alojamento.
- Confirme se a empresa existe e se a vaga aparece no site oficial ou em plataforma conhecida.
- Cuidado com propostas de trabalho em outro país sem contrato claro; procure informações em órgãos oficiais antes de viajar.
- Não envie documentos e dados bancários antes de uma entrevista real.
- Desconfie de anúncios sem nome da empresa, sem endereço e com contato apenas por aplicativo de mensagem.
Se receber uma proposta suspeita, pesquise o CNPJ da empresa, procure avaliações de outros trabalhadores e confirme a vaga por um canal oficial antes de enviar qualquer informação. Na dúvida, prefira as oportunidades divulgadas pelo Sine e pelas páginas de carreiras das próprias empresas.
Perguntas frequentes sobre soldador
Soldador precisa de curso para trabalhar?
A lei não exige diploma, mas na prática as empresas pedem curso de soldagem e fazem teste prático. Em setores como petróleo e estaleiros, a qualificação por norma é obrigatória para a contratação.
Quanto ganha um soldador iniciante?
Pelo Novo Caged, na base do Salário.com.br de outubro de 2026, o piso da faixa de entrada era de R$ 2.878,64 por mês. O valor muda conforme a região, a empresa e a convenção coletiva.
Qual solda paga mais?
Em geral, profissionais qualificados em TIG e em solda de tubulação, principalmente em setores como petróleo, gás e indústria alimentícia, recebem mais, porque o processo exige mais precisão.
Soldador tem direito a insalubridade?
Pode ter, se o laudo técnico apontar exposição acima dos limites de tolerância. O adicional é de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo, conforme o grau definido no laudo.
Mulher pode ser soldadora?
Sim. A profissão é aberta a qualquer pessoa com o preparo técnico necessário, e cursos e empresas têm recebido cada vez mais mulheres na área.
Quanto tempo leva para aprender a soldar?
Depende do curso e da prática. Os cursos de qualificação ensinam os fundamentos, mas a habilidade vem com horas de cabine e experiência na empresa.
Conclusão
Ser soldador é uma forma concreta de entrar na indústria com salário acima do mínimo e boas chances de crescer. O primeiro passo é escolher um processo, fazer um curso com bastante prática e aprender a ler desenho técnico. Depois, cursos de segurança, um currículo objetivo e treino para o teste prático fazem a diferença na seleção.
Com o tempo, dominar TIG, solda de tubulação e qualificações por norma abre as portas para vagas mais bem pagas e para carreiras como inspetor de solda e encarregado. Para comparar com outras profissões técnicas, veja o nosso guia de profissões.
Leia também
- Profissões: o que faz, salário e como conseguir a vaga
- Eletricista: 9 passos para conseguir a vaga, salário e NR-10
- Técnico em manutenção industrial: funções e salário
- Auxiliar de produção: 8 passos para entrar na indústria
Fontes: Salário.com.br – Soldador (CBO 7243-15), dados do Novo Caged, atualizado em 8/10/2026; Consolidação das Leis do Trabalho, no Planalto; Ministério do Trabalho e Emprego.
Aviso: o Trabalha BR é um site informativo: não somos a empresa contratante, não recebemos currículos e nunca cobramos para você se candidatar.
